A origem do trote vem da Idade média quando o conceito de Universidade
ganhou grande dimensão; já no Brasil o trote começou mais tarde, com a chegada
da família real, mais ou menos por volta dos anos 1808.
Os
trotes surgiram como uma forma de discriminação, diversificando o cenário em
vários lados do mundo, apenas a partir do século 20 que o trote passou a
receber limites e punições para quem os comete.
As brincadeiras com os "bixos" não são exclusividade do Brasil,
e não é apenas aqui que existem limitações, veja o que acontece em alguns outros
países:
Brasil
Por aqui, no verão, com o início do ano letivo, é clássico ver os "bixos" com a cara pintada e os cabelos raspados ou o trote solidário, onde cada aluno leva um alimento para que seja doado para instituições carentes.
Suécia
O
"nollning", o trote sueco, é sempre um sucesso. O motivo é simples: o
rito de iniciação dos nórdicos inclui algo raro: nudez. Tudo por causa de um
jogo chamado "klädstreck" ou "fila de roupas". Vários times
de bichos se enfrentam neste jogo no qual o objetivo é fazer a mais longa fila
de roupas pelo chão. É comum novos alunos homens ficarem de cuecas ou
completamente pelados enquanto as mulheres terminam apenas de calcinha e sutiã
(com algumas exceções de garotas que topam tirar tudo).
Espanha
Chamado de "novatada", o trote na Espanha ocorre apenas em universidades grandes ou tradicionais e raramente é violento. Os novatos têm que cantar na janela das garotas e fazer strip-tease para elas.
Chamado de "novatada", o trote na Espanha ocorre apenas em universidades grandes ou tradicionais e raramente é violento. Os novatos têm que cantar na janela das garotas e fazer strip-tease para elas.
França
Após vários casos de violência e até de mortes, o trote, conhecido como bizutage ou brimade (maltratar), foi proibido por lei em 1998. Após a morte de um aluno, o trote foi proibido e a punição para quem comete trotes na França é de seis meses de prisão ou o pagamento de uma multa de 7.600 euros. Ou seja, ninguém mais pode amarrar calouros na Torre Eiffel.
Após vários casos de violência e até de mortes, o trote, conhecido como bizutage ou brimade (maltratar), foi proibido por lei em 1998. Após a morte de um aluno, o trote foi proibido e a punição para quem comete trotes na França é de seis meses de prisão ou o pagamento de uma multa de 7.600 euros. Ou seja, ninguém mais pode amarrar calouros na Torre Eiffel.
Portugal
O termo correto é "praxe" e corresponde não só à primeira semana, mas ao ano inteiro de aulas. No fim do século 18, havia o canelão, prática em que os veteranos davam caneladas nos calouros ao entrarem na universidade. Os rituais eram tão violentos que até o escritor Eça de Queiroz chegou a assinar um manifesto "anti-praxe". No século 20, governo e alunos uniram-se para diminuir as agressões e humilhações. Porém ainda percebemos que é muito violento.
Entre as universidades mais tradicionais, existe um código para a praxe que deve ser seguido pelos "bixos" e veteranos. Cheio de bom humor e piadas, o código traz pérolas como essa, da universidade do Algarve: "o calouro só tem um direito, podendo por vezes respirar, quando autorizado".
Canadá
Os trotes no Canadá são marcados por abuso de álcool e violência contra estudantes. Chamado de "frosh week", muitos estados criaram leis proibindo esse tipo de trote.
Os trotes no Canadá são marcados por abuso de álcool e violência contra estudantes. Chamado de "frosh week", muitos estados criaram leis proibindo esse tipo de trote.
O trote é um rito de passagem?
O
trote tem significados diferentes para calouros e veteranos. Para os primeiros,
ele é um rito de passagem. Na Universidade de Heidelberg [Alemanha] havia um
juramento no final do trote no qual os calouros se comprometiam a fazer
exatamente o mesmo quando fossem veteranos. Antonio Zuin professor, autor do
livro Trote na universidade: passagem de um rito de iniciação, afirma que a
possível integração entre os alunos é um estímulo à realização dos trotes. O
pesquisador explica que o trote é uma forma de os veteranos se vingarem das
humilhações sofridas não só na sua recepção pelos outros alunos, mas também na
sala de aula, causadas, principalmente, pelos professores.